Escrevo hoje totalmente tomada de susto. E, já de início, as lágrimas me são inevitáveis. Aliás, como não poderia deixar de ser diante da notícia de que dois novos anjinhos estão agora no lugar reservado ao que existe de mais puro e inocente no mundo.
Imagino que, lá de cima, eles estejam acompanhando o sofrimento de seus pais, que aguardaram com tanto carinho a sua chegada e que foram privados tão cedo de sua companhia! Não deve estar sendo fácil para eles presenciar tudo isso. E é tão difícil, para nós, encontrar algum sentido que nos conforte; um porquê, que seja, para essa aparente brutalidade da vida. A morte sempre nos será estranha, é fato. Mas em algumas situações, como esta a que me refiro, além de estranha ela parece injusta!
Mas prefiro pensar que tudo que é belo necessita de um toque de vida especial. E tenho certeza que são os anjinhos que se encarregam disso. Lá de cima, eles apontam para as flores que nascem, e então elas brilham, voltando nossos olhos para a renovação da vida. Acho também que são eles que dão um empurrãozinho nas estrelas cadentes, para que elas alimentem nossos pedidos de felicidade. Aquela brisinha refrescante, no meio da tarde, é o sopro dos anjinhos, nos acalentando e renovando a coragem para continuar a caminhada.
Quando criança, eu sempre rezava pro meu anjo da guarda: “Santo anjo do Senhor, meu zeloso e guardador...”. Mal sabia, naquela época, que os anjinhos eram crianças como eu, mas que tiveram o privilégio de ser escolhidas para viver em outro lugar, ao lado da luz, da fé, da tranquilidade, da paz. São crianças especiais, esses anjinhos, que abriram mão da vida aqui na Terra pra proteger outras crianças. E pra manter viva a criança que cada um de nós carrega no coração, quando nos lambuzamos de propósito com manga, quando choramos de saudades da mamãe, quando andamos mais devagar pra pegar chuva, quando fechamos os olhos na montanha russa... em cada um desses momentos, um anjinho se aproxima, nos acalenta e afaga nossos cabelos. E só assim, fechamos os olhos e dormimos em paz.
Hoje, a minha oração será especial. Para que meu anjo da guarda direcione seu sopro de conforto para uma grande amiga e seu marido, que recentemente passaram pela dor indescritível de perder o pedaço mais importante de suas próprias vidas. E também para que ele (o meu anjo) receba esses dois novos anjinhos e os cubra de atenção e carinho. E os ensine a iluminar flores e escolher lindas estrelas para lançar à Terra... Hoje, quando todos que torcemos pela vida deles fecharmos os olhos cansados e repousarmos, tenho certeza que eles se aproximarão e nos sussurrarão lindos sonhos e bons sentimentos. E assim eles continuarão, para sempre, nos regendo, guardando e iluminando, como dizia o fim daquela oração. Amém!
segunda-feira, 26 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Conquistas
Um mês sem escrever aqui. Antes de mais nada, me desculpem pela ausência... nem eu sei explicar porque às vezes as palavras me somem sem aviso, se um dos meus grandes prazeres é dividir com vocês minhas observações do cotidiano... Enfim, talvez sejam os tão falados mistérios que residem entre o céu e a terra... Sei lá!
Mas vamos ao que interessa.
Hoje quero falar de conquistas. Acho que as primeiras conquistas de que ouvimos falar são aquelas das aulas de História do ensino fundamental. A “Conquista das Índias”, a “Conquista da Lua”, a “Conquista do Novo Mundo”. Reparem, todas escritas com letras maiúsculas, mas que,olhando assim de fora, parece que aconteceram da noite para o dia. De repente, alguém que não tinha mais nada o que fazer, resolveu atravessar o Cabo da Boa Esperança, ou vestir uma roupa engraçada e se lançar no espaço para encontrar “de susto” o satélite natural da Terra. Ou, ainda, rumar em direção ao horizonte (diga-se de passagem, procurando as tão sonhadas Índias) e descobrir a América!
Parece bobo falar assim, não é? Todos sabemos o quanto a humanidade teve que caminhar para chegar a alguns lugares, desvendar alguns mistérios (até então “sobrenaturais” como os monstros que habitavam o sul da África) e, principalmente, saber-se capaz de superar alguns limites. Mas nossa mente, muitas vezes “econômica”, só vislumbra o resultado final.
Já pararam pra pensar o que representa cada uma das conquistas do nosso dia-a-dia? Pensem bem: se nós, na nossa condição “econômica” de seres humanos tendemos a resumir aquelas grandes conquistas que acabei de citar, imaginem só o quanto menosprezamos as conquistas instantâneas de cada indivíduo, em sua condição absolutamente nuclear! Nossa, dá até medo de pensar!
Um casal feliz, por exemplo. Certamente tropeçou nas idiossincrasias irritantes de cada um. Ambos em algum momento engoliram seco, respiraram fundo e deram um passo a frente, em busca da escultura que abrangesse, sem maiores conflitos, a totalidade de cada um.
E vencer os medos, então? Todos nós temos medo de alguma coisa, ou situação. Dos mais diversos e inesperados, aos mais comuns e compreensíveis. Na lista dos esperados (ao menos ao meu ver): ficar sozinho, ficar doente, ter dores impossíveis de amenizar, barata, violência. Os inesperados: borboleta, escuro, tempestade, medo de ter medo, e assim por diante. Pensem bem: todos os dias, em todos os cantos do mundo, milhares de pessoas vencem pelo menos um de seus medos, após uma grande caminhada de superação invisível aos olhos da maioria. Um pequeno passo pra humanidade, mas um grande passo individual! (Desculpem, eu não poderia perder esse trocadilho como Niel Armstrong).
Recentemente, presenciei uma dessas conquistas. Acompanhei passo a passo a evolução de um trabalho sério, bem orientado, criterioso, que culminou em uma tese de Doutorado. Ao contrário do que costuma acontecer com o que observamos de longe, vi o quanto é difícil superar limites e medos, engolir sapos, ter paciência, desvendar o desconhecido. Tudo isso sem alarde. Muitas vezes até com descrédito.
Tive o privilégio de acompanhar esse processo, do garimpo à lapidação, com expectativa, ainda, de evoluir para uma requintada joia. Acreditem: foi uma experiência - a minha, de olhar uma conquista de perto - inigualável. Aprendi que quando valorizamos o passo-a-passo do que quer que seja, nos tornamos parte do resultado final. Deixamos de ser meros expectadores e, mesmo calados, somos potenciais narradores de grandes histórias, ainda que momentaneamente individuais. Talvez assim o universo monocromático e particular do indivíduo componha, com louvor reconhecido, o mosaico multicolorido universal.
Esta crônica é dedicada, com todo meu amor e admiração, ao Dr. Gustavo Rodrigues de Souza.
Mas vamos ao que interessa.
Hoje quero falar de conquistas. Acho que as primeiras conquistas de que ouvimos falar são aquelas das aulas de História do ensino fundamental. A “Conquista das Índias”, a “Conquista da Lua”, a “Conquista do Novo Mundo”. Reparem, todas escritas com letras maiúsculas, mas que,olhando assim de fora, parece que aconteceram da noite para o dia. De repente, alguém que não tinha mais nada o que fazer, resolveu atravessar o Cabo da Boa Esperança, ou vestir uma roupa engraçada e se lançar no espaço para encontrar “de susto” o satélite natural da Terra. Ou, ainda, rumar em direção ao horizonte (diga-se de passagem, procurando as tão sonhadas Índias) e descobrir a América!
Parece bobo falar assim, não é? Todos sabemos o quanto a humanidade teve que caminhar para chegar a alguns lugares, desvendar alguns mistérios (até então “sobrenaturais” como os monstros que habitavam o sul da África) e, principalmente, saber-se capaz de superar alguns limites. Mas nossa mente, muitas vezes “econômica”, só vislumbra o resultado final.
Já pararam pra pensar o que representa cada uma das conquistas do nosso dia-a-dia? Pensem bem: se nós, na nossa condição “econômica” de seres humanos tendemos a resumir aquelas grandes conquistas que acabei de citar, imaginem só o quanto menosprezamos as conquistas instantâneas de cada indivíduo, em sua condição absolutamente nuclear! Nossa, dá até medo de pensar!
Um casal feliz, por exemplo. Certamente tropeçou nas idiossincrasias irritantes de cada um. Ambos em algum momento engoliram seco, respiraram fundo e deram um passo a frente, em busca da escultura que abrangesse, sem maiores conflitos, a totalidade de cada um.
E vencer os medos, então? Todos nós temos medo de alguma coisa, ou situação. Dos mais diversos e inesperados, aos mais comuns e compreensíveis. Na lista dos esperados (ao menos ao meu ver): ficar sozinho, ficar doente, ter dores impossíveis de amenizar, barata, violência. Os inesperados: borboleta, escuro, tempestade, medo de ter medo, e assim por diante. Pensem bem: todos os dias, em todos os cantos do mundo, milhares de pessoas vencem pelo menos um de seus medos, após uma grande caminhada de superação invisível aos olhos da maioria. Um pequeno passo pra humanidade, mas um grande passo individual! (Desculpem, eu não poderia perder esse trocadilho como Niel Armstrong).
Recentemente, presenciei uma dessas conquistas. Acompanhei passo a passo a evolução de um trabalho sério, bem orientado, criterioso, que culminou em uma tese de Doutorado. Ao contrário do que costuma acontecer com o que observamos de longe, vi o quanto é difícil superar limites e medos, engolir sapos, ter paciência, desvendar o desconhecido. Tudo isso sem alarde. Muitas vezes até com descrédito.
Tive o privilégio de acompanhar esse processo, do garimpo à lapidação, com expectativa, ainda, de evoluir para uma requintada joia. Acreditem: foi uma experiência - a minha, de olhar uma conquista de perto - inigualável. Aprendi que quando valorizamos o passo-a-passo do que quer que seja, nos tornamos parte do resultado final. Deixamos de ser meros expectadores e, mesmo calados, somos potenciais narradores de grandes histórias, ainda que momentaneamente individuais. Talvez assim o universo monocromático e particular do indivíduo componha, com louvor reconhecido, o mosaico multicolorido universal.
Esta crônica é dedicada, com todo meu amor e admiração, ao Dr. Gustavo Rodrigues de Souza.
Assinar:
Comentários (Atom)
