terça-feira, 8 de junho de 2010

Sonhos

Eu estava pensando: além de algumas funções biológicas básicas, como respirar, por exemplo, sonhar é uma das poucas coisas que fazemos dormindo e acordados. Me arriscaria até a dizer que sonhamos quase o tempo todo. E por que será que é tão bom?
Dormindo, já tive sonhos terríveis, pesadelos daqueles que parecem muito reais. Já acordei chorando, desesperada. Já aconteceu até de eu acordar, voltar a dormir, e o pesadelo continuar. Cenas tão dantescas que quando acabaram definitivamente mereceram um "ufa, era só um sonho". Acordada já sonhei com pessoas perfeitas, paz absoluta e tranquilidade constante. De tão utópicos, quando não se concretizaram me conformei. Afinal "era só um sonho".
Fato é que, dormindo ou acordados, os sonhos são uma pausa no tempo. Uma pausa que podemos dar conscientemente ou no espaço onírico do sonho. Já te aconteceu de, em um sonho durante o sono, resolver um problema que te afligia há dias? Ou brigar com alguém, desabafar uma raiva latente, ou fazer uma declaração de amor que o corre-corre da rotina não permitiu? É quase um choque de realidade compulsório, que nos ajuda a perceber detalhes e importâncias que a luz do dia ou a vigília não nos permitia enxergar.
Quando sonhamos acordados vivemos "entre parênteses" por alguns instantes. A pausa no tempo se dá no espaço de nossas próprias vidas e não raro, refere-se à vida que gostaríamos de ter, mas que, por zilhões de motivos, não conseguimos. Aliás, tão mais gostoso sonhar do que questionar!
Mas não deve ser à toa que existe diferença entre "sonhos" e "projetos", "desejos" e "objetivos". Embora sonhos possam se transformar em projetos (diga-se de passagem me parece salutar que isso aconteça), o lugar reservado aos sonhos deve, por definição, resguardar-se do real, do factível. É um respiro, eu diria até um suspirar profundo, à parte de tropeços, de nãos, de imprevistos. É uma rua tranquila, ladeada por flores do campo, e por casas sem grades, muros e portões.
Para todos esses pensamentos sobre os sonhos, ao contrário do que costuma acontecer em minhas crônicas, acho que não existe uma conclusão final. Só estava pensando mesmo nos sonhos que ando tendo, dormindo e acordada. E em como esses mundos paralelos às vezes nos parecem confortáveis, porque em algum momento acordamos, ou porque são completamente diferentes do nosso mundo real. Acho que falei dos sonhos não só porque é gostoso sonhar, mas também porque, às vezes, é bem difícil acordar.