quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Homenagem

Eu queria ser poesia, dessas que rimam e arrepiam. Eu queria ser Chico e um dia chegar tão diferente do meu jeito de sempre chegar. Distraída, compor alguns Vinícius, e te pedir perdão por te amar de repente. Entoar Tons brasileiros, e perder a noção da hora, e jogar tudo fora. Inevitável então seria chorar Bethânias no cavaquinho, de canções alheias cantadas divinamente sem sentido. Sem sentido? Seria eu Caetano, então, sem essa aranha prá lá de Teerã? Ou não! Eu anoiteceria Elis,com um band-eid no calcanhar e amanheceria Djavan, em flor de lis. E por falar em flor, por um pequeno instante eu seria Noel. E me queixaria às rosas, já que não falam. Deitaria Gonzaga sem nem um pé de plantação e levantaria na Noite Ilustrada, sacodindo a poeira e dando a volta por cima! Eu seria também Roberto, afinal, tenho tanto pra te contar... E nessa hora, eu entoaria Tim Maia, pois queria que o mundo inteiro me pudesse ouvir.
Afinal, sou só palavras soltas, presas à prosa, sem rimas. Sonho reinventar Erasmo, fazer meus castelos e ser salva do dragão, emprestado de São Jorge, e ainda por cima aprender japonês em braile.
Queira Deus que esses meus devaneios sejam apenas um pedaço de mim, uma metade arrancada de mim. Enfim, peço licença a Oswaldo para me declarar entre parênteses: porque metade de mim é amor (às palavras), e a outra metade também.