Esses dias eu estava pensando sobre o quanto é difícil escolher uma profissão. Você tem que pensar muito seriamente sobre suas habilidades e limitações. E, além disso, considerar as dificuldades intrínsecas a cada carreira. No meio desse pensamento, fui surpreendida por lembranças que, alguns anos depois dos fatos, tornaram-se engraçadas.
Lembro-me também que já compartilhei essas lembranças com alguns colegas e todos relataram ter vivido situações semelhantes. Trata-se de frases que você ouve, antes, durante e depois da faculdade, que no momento em que são ditas, nos despertam verdadeira fúria, mas que com o tempo, tornam-se até parte da mítica de qualquer profissão. No meu caso, me formei em psicologia. Compartilho com vocês, agora, alguns desses momentos pitorescos.
De antemão, peço desculpas aos leitores que não são da área, mas tenho certeza que, adaptando-se certas situações, todos já passamos por algo semelhante! E para os da área, advirto, esse texto é uma brincadeira com as delícias e agruras da nossa linda profissão.
Lembro-me também que já compartilhei essas lembranças com alguns colegas e todos relataram ter vivido situações semelhantes. Trata-se de frases que você ouve, antes, durante e depois da faculdade, que no momento em que são ditas, nos despertam verdadeira fúria, mas que com o tempo, tornam-se até parte da mítica de qualquer profissão. No meu caso, me formei em psicologia. Compartilho com vocês, agora, alguns desses momentos pitorescos.
De antemão, peço desculpas aos leitores que não são da área, mas tenho certeza que, adaptando-se certas situações, todos já passamos por algo semelhante! E para os da área, advirto, esse texto é uma brincadeira com as delícias e agruras da nossa linda profissão.
Frases que ouvimos antes de entrar na faculdade:
-Do professor do cursinho: Psicologia? Achei que você fosse tentar algo mais difícil!
-Do seu pai: Psicologia? Tem campo pra “isso”?
-Do seu melhor amigo: Cuidado, hein... O tio da amiga da minha vizinha é psiquiatra. Esse povo que mexe com gente doida acaba ficando um pouco doido também!
Logo no começo do curso:
- Dos professores:
De Fundamentos da Psicanálise: A Psicanálise é mais profunda, procura a raiz do problema.
De Introdução à Psicologia Comportamental: A Comportamental é mais efetiva, porque procura a raiz do problema.
De Sociologia: A Sociologia é mais importante, porque questiona a raiz social do problema.
De Estatística: Se eu comi dez frangos, e você nenhum, então comemos cinco frangos em média. Você comeu cinco, sem ter comido nenhum!
-De desconhecidos, na mesa do bar:
O autossuficiente: Não preciso de terapia. Meu terapeuta é meu melhor amigo.
O autocentrado: Psicologia, é? Então tudo que eu disser você vai analisar?
-Da sua tia-avó: A melhor terapia é fazer tricô. Os antigos já falavam...
-Do seu melhor amigo: Preciso da sua opinião; não sua opinião de amigo, mas sua avaliação como psicólogo
No meio de curso, início das disciplinas práticas:
-Dos professores:
De Clínica Psicanalítica: O tempo de uma disciplina é muito curto para a prática psicanalítica. O inconsciente é atemporal, mas precisa de tempo para ser analisado. Portanto, faremos apenas um “detour” pelos principais conceitos freudianos, para que, posteriormente, vocês possam se aprofundar no assunto.
De Clínica Comportamental: O tempo de uma disciplina é insuficiente para a análise funcional. O comportamento é fruto de contingências filogenéticas, ontogenéticas e culturais. Portanto, faremos um recorte metodológico, com ênfase na ontogênese, para que posteriormente vocês possam se aprofundar no assunto.
De Dinâmica de Grupo 1 (que é obrigatória): Vamos nos sentar em círculo, no centro da sala. E agora cada um vai desenhar e pintar nas folhas de papel espalhadas no chão, um animal com o qual se identifica. Justificar? Não precisa justificar sua escolha, pois não haverá tempo hábil. Oportunamente, na disciplina “Dinâmica de Grupo 2 – estudos avançados” (que é opcional) vocês poderão se aprofundar no assunto.
-De desconhecidos, na mesa do bar:
O curioso: Diz ai, eu sempre tive curiosidade de saber... Por que a gente desenha uma casa, uma árvore e uma pessoa no psicotécnico do Detran?
O informado: Ouvi dizer que tem que desenhar o chão (embaixo da casa, da árvore e da pessoa).
O bicho-grilo: Psicologia? Acho super interessante. Inclusive, pesquiso muito sobre parapsicologia, projeciologia e medicina alternativa oriental.
-Da sua tia-avó: Não se formou ainda, minha filha? Mas tá namorando, né?
-Do seu melhor amigo: Vamos sair pra tomar uma cerveja? Mas sem aquele papo de inconsciente, contingência...
No final do curso:
-Dos supervisores de estágio em clínica:
Psicanalítica: O processo analítico, como o próprio nome diz, é um processo. E, enquanto processo, é inescrutinável. Em um ano de estágio, você provavelmente não poderá vislumbrar as relações intrínsecas à transferência. Mas o estágio é um momento importante para que esse aluno entre em contato com os conflitos inerentes à relação analista-paciente para que, posteriormente, em sua análise pessoal, possa lidar com essa angústia.
Comportamental: Nesse espaço de um ano, vamos procurar levantar todas as contingências possíveis, relacionadas ao comportamento do cliente. Com base nas contingências estabelecedoras e nas mantenedoras do chamado “comportamento-alvo”, vamos planejar a intervenção. Se der tempo, entramos com o plano de intervenção. Se não, elaboraremos um relatório detalhado das sessões, para que o estagiário do próximo ano dê continuidade aos procedimentos.
-Na escola onde você faz estágio em Psicologia escolar:
Da diretora: Mas cadê a mocinha que vinha ano passado? Ela era tão boazinha...
Da professora: Posso falar com você em particular? Então, sabe aquele menininho ali? O gordinho... ele tem problemas em casa. Será que você não poderia dar uma atençãozinha especial pra ele, tadinho?
-Na empresa onde você faz estágio em Psicologia Organizacional:
Do diretor da empresa: aqui estão os perfis. Qualquer dúvida, pergunte ao administrador.
Do administrador: recebeu os perfis? Qualquer dúvida, pergunte à minha secretária.
Da secretária: você precisa trazer os formulários da universidade, com urgência, para regularizar sua situação como estagiário aqui da empresa! Qualquer dúvida procure o jurídico.
-Do desconhecido, na mesa do bar: a essa altura, você não tem mais tempo nem paciência para ouvir desconhecidos. Nem para frequentar bares!
-Da sua tia-avó: vai se formar, já? Então agora já pode casar, hein?Ah, terminou? Que pena... vou tricotar uma manta pra Santo Antônio... logo logo você arruma outro!
-Do seu melhor amigo, depois que você conta sobre as suas frustações no último ano de curso, sobre as críticas da família à sua escolha profissional e sobre o pé na bunda que você levou do seu namorado (a) que reclamou o ano inteiro que você não tinha mais tempo pra ele (a): cara, na boa, acho que você deveria fazer terapia.
Ouço coisas engraçadas até hoje, passados mais de dez anos da formatura. Mas essa parte, fica pra outra vez...
-Do professor do cursinho: Psicologia? Achei que você fosse tentar algo mais difícil!
-Do seu pai: Psicologia? Tem campo pra “isso”?
-Do seu melhor amigo: Cuidado, hein... O tio da amiga da minha vizinha é psiquiatra. Esse povo que mexe com gente doida acaba ficando um pouco doido também!
Logo no começo do curso:
- Dos professores:
De Fundamentos da Psicanálise: A Psicanálise é mais profunda, procura a raiz do problema.
De Introdução à Psicologia Comportamental: A Comportamental é mais efetiva, porque procura a raiz do problema.
De Sociologia: A Sociologia é mais importante, porque questiona a raiz social do problema.
De Estatística: Se eu comi dez frangos, e você nenhum, então comemos cinco frangos em média. Você comeu cinco, sem ter comido nenhum!
-De desconhecidos, na mesa do bar:
O autossuficiente: Não preciso de terapia. Meu terapeuta é meu melhor amigo.
O autocentrado: Psicologia, é? Então tudo que eu disser você vai analisar?
-Da sua tia-avó: A melhor terapia é fazer tricô. Os antigos já falavam...
-Do seu melhor amigo: Preciso da sua opinião; não sua opinião de amigo, mas sua avaliação como psicólogo
No meio de curso, início das disciplinas práticas:
-Dos professores:
De Clínica Psicanalítica: O tempo de uma disciplina é muito curto para a prática psicanalítica. O inconsciente é atemporal, mas precisa de tempo para ser analisado. Portanto, faremos apenas um “detour” pelos principais conceitos freudianos, para que, posteriormente, vocês possam se aprofundar no assunto.
De Clínica Comportamental: O tempo de uma disciplina é insuficiente para a análise funcional. O comportamento é fruto de contingências filogenéticas, ontogenéticas e culturais. Portanto, faremos um recorte metodológico, com ênfase na ontogênese, para que posteriormente vocês possam se aprofundar no assunto.
De Dinâmica de Grupo 1 (que é obrigatória): Vamos nos sentar em círculo, no centro da sala. E agora cada um vai desenhar e pintar nas folhas de papel espalhadas no chão, um animal com o qual se identifica. Justificar? Não precisa justificar sua escolha, pois não haverá tempo hábil. Oportunamente, na disciplina “Dinâmica de Grupo 2 – estudos avançados” (que é opcional) vocês poderão se aprofundar no assunto.
-De desconhecidos, na mesa do bar:
O curioso: Diz ai, eu sempre tive curiosidade de saber... Por que a gente desenha uma casa, uma árvore e uma pessoa no psicotécnico do Detran?
O informado: Ouvi dizer que tem que desenhar o chão (embaixo da casa, da árvore e da pessoa).
O bicho-grilo: Psicologia? Acho super interessante. Inclusive, pesquiso muito sobre parapsicologia, projeciologia e medicina alternativa oriental.
-Da sua tia-avó: Não se formou ainda, minha filha? Mas tá namorando, né?
-Do seu melhor amigo: Vamos sair pra tomar uma cerveja? Mas sem aquele papo de inconsciente, contingência...
No final do curso:
-Dos supervisores de estágio em clínica:
Psicanalítica: O processo analítico, como o próprio nome diz, é um processo. E, enquanto processo, é inescrutinável. Em um ano de estágio, você provavelmente não poderá vislumbrar as relações intrínsecas à transferência. Mas o estágio é um momento importante para que esse aluno entre em contato com os conflitos inerentes à relação analista-paciente para que, posteriormente, em sua análise pessoal, possa lidar com essa angústia.
Comportamental: Nesse espaço de um ano, vamos procurar levantar todas as contingências possíveis, relacionadas ao comportamento do cliente. Com base nas contingências estabelecedoras e nas mantenedoras do chamado “comportamento-alvo”, vamos planejar a intervenção. Se der tempo, entramos com o plano de intervenção. Se não, elaboraremos um relatório detalhado das sessões, para que o estagiário do próximo ano dê continuidade aos procedimentos.
-Na escola onde você faz estágio em Psicologia escolar:
Da diretora: Mas cadê a mocinha que vinha ano passado? Ela era tão boazinha...
Da professora: Posso falar com você em particular? Então, sabe aquele menininho ali? O gordinho... ele tem problemas em casa. Será que você não poderia dar uma atençãozinha especial pra ele, tadinho?
-Na empresa onde você faz estágio em Psicologia Organizacional:
Do diretor da empresa: aqui estão os perfis. Qualquer dúvida, pergunte ao administrador.
Do administrador: recebeu os perfis? Qualquer dúvida, pergunte à minha secretária.
Da secretária: você precisa trazer os formulários da universidade, com urgência, para regularizar sua situação como estagiário aqui da empresa! Qualquer dúvida procure o jurídico.
-Do desconhecido, na mesa do bar: a essa altura, você não tem mais tempo nem paciência para ouvir desconhecidos. Nem para frequentar bares!
-Da sua tia-avó: vai se formar, já? Então agora já pode casar, hein?Ah, terminou? Que pena... vou tricotar uma manta pra Santo Antônio... logo logo você arruma outro!
-Do seu melhor amigo, depois que você conta sobre as suas frustações no último ano de curso, sobre as críticas da família à sua escolha profissional e sobre o pé na bunda que você levou do seu namorado (a) que reclamou o ano inteiro que você não tinha mais tempo pra ele (a): cara, na boa, acho que você deveria fazer terapia.
Ouço coisas engraçadas até hoje, passados mais de dez anos da formatura. Mas essa parte, fica pra outra vez...
