sexta-feira, 30 de julho de 2010

O que eu aprendi com meu filme preferido

Gente! Pela primeira vez, neste blog, estou escrevendo com trilha sonora. Normalmente, como já disse antes, um tema, uma palavra, uma inquietação me acomete, e eu, resignada, deixo o pensamento rolar. E se transformar em palavras. Hoje, excepcionalmente, estou escrevendo e ouvindo música ao mesmo tempo.
Para quem está curioso, estou escrevendo imbuída pela trilha sonora do meu filme preferido: Forrest Gump. Quem me conhece sabe que eu já perdi as contas de quantas vezes assisti a este filme. Acho que quando parei de contar (uns oito anos atrás), eu tinha assistido ao filme umas quatorze vezes. Detalhe importante: o filme foi lançado no Brasil em 1995. De lá para cá acho que assisti às minhas cenas preferidas uma centena de vezes... e ao filme inteiro, uma outra centena...
Enfim, acho que vocês não estão entendendo nada, né? Eu também, até hoje não entendo porque esse filme é o meu preferido. Por que me captou de maneira arrebatadora...
Assisti a clássicos, internacionalmete renomados, tão menos comerciais, tão menos óbvios, tão menos Hollywood (embora eu mesma não ache isso um defeito "a priori"). Mas não tem jeito! Confesso, ninguém me conquistou tão sensivelmente quanto o Forrest.
Forrest Gump é só mais uma daquelas centenas de produções bem feitinhas, bem construídas, com alguns efeitos especiais admiráveis (ainda mais para a época), com excelentes atores, e uma trilha sonora que agrada gregos e troianos (gregos e troianos com o mínimo de bom gosto, claro). Bom, deixa eu controlar meu entusiasmo. E minhas impressões absolutamente pessoais!
Não sou uma grande entenderoda de cinema, mas para perceber o questionamento central do filme, ninguém precisa ser. É mais ou menos assim: As coisas acontecem ao acaso, totalmente aleatórias, ou elas acontecem porque existe um destino previamente determinado para cada um de nós? Um script, com começo, meio e fim, movido por uma força divina ou algo que o valha? Boa pergunta, não é?
Acho que esse foi o primeiro apelo do filme - e o mais óbvio - que me conquistou. Todos nós, reles mortais, já pensamos nessa questão. Quantas vezes cada um de nós já não pensou que aquele encontro absolutamente banal tivesse sido movido por uma força-motor extra sensorial, um encontro de fluidos divinos ou um sopro inevitável da natureza? Quero dizer, quantos de nós nunca fantasiou sem censura, sem limites, para justificar os momentos mais improváveis e insólitos? Afinal, como bons mortais, buscamos sempre explicação em algo que nos transcende. Se identificou com isto?
Se você leu o último parágrafo e achou tudo uma besteira, provavelmente você pensa que nada está pré-determinado, iluminado divinamente, envolto em magia. As coisas são o que são simplesmente porque estão no mundo, sujeitas a tudo o que também está aí. Então, é tudo "por vir", e nada é determinado.
Enfim, como já anunciei, esta foi só a primeira questão colocada pelo filme que me captou. Confesso que não tenho resposta para ela. Já me perdi em devaneios sobre "o momento certo" para as coisas acontecerem... Já me flagrei, totalmente racional, questionando o meu papel em circunstâncias aparentemente fortuitas... Ou seja, não tenho resposta para a questão mais óbvia do filme... Acho que às vezes sou o Tenete Dan, outras sou a Mamma (aí vocês vão ter que assistir ao filme para entender).
Mas, mesmo sem assistir ao filme, acho que podemos discutir sobre a questão que eu coloquei acima. Temos um destino determinado (isso é Tenete Dan) ou podemos escrever nosso próprio destino (isso é Mamma)?
Lembram que eu disse antes que essa era a questão mais óbvia do filme? Então, como vocês já devem me conhecer, sabem que eu gosto de entrelinhas, de vírgulas e reticências, mais do que de exclamações. Gosto mais do "dito de outra forma", da metáfora, da poesia que não rima, do sustenido.
Acho que foi aí que o Forrest me conquistou, absolutamente! E agora não falo mais do filme, da produção cinematográfica, mas das personagens. Foi no olhar do menino que pergunta pelo pai, que nunca conheceu, que ele acha que está de férias. E na firmeza da mãe que diz: "Férias, é quando alguém vai a algum lugar e nunca mais volta". Foi na mãe, que tem um filho com limitação física, e que diz para o filho: "Se Deus quisesse que todos fossem iguais, teria feito todos com aparelhos nas pernas". Foi no menino, que mesmo sendo "limítrofe" sempre respondeu a quase tudo com "ok", e com isso foi em frente, sempre. Foi no homem, que se sabendo "limítrofe" disse: "Bubba era meu melhor amigo... e até eu sei que isso não se encontra em qualquer lugar". Foi no homem, que mesmo sendo "limítrofe", soube reconhecer inteligência em seu filho e não dizer que o mundo era diferente dele (do filho). Quando as pessoas que amava ficavam doentes, Forrest colhia flores frescas para por ao lado da cama. E quando ele ficava muito triste ao se lembrar de alguma história, ele tinha a humildade e o respeito próprio de dizer : "e eu não tenho nada mais a falar sobre isso". Forrest correu sem destino por mais de três anos para aprender uma lição que muitos de nós não aprendemos em uma vida inteira: "é preciso deixar o passado para trás". Forrest descobriu, quando criança, que pernas mecânicas eram pernas mágicas. E o mais incrível é que ele não se esqueceu disso depois que cresceu.
Sabem de uma coisa? Pra mim pouco importa se o destino é algo inexorável, ou se todos somos peninhas ao vento (assistam ao filme para entender). O importante é correr, sem destino, mas aprender com isso. O importante é se saber inevitavelmente sozinho, mas se cercar do que as pessoas têm de melhor. É reconhecer o que realmente importa na vida. É perceber que todos somos "limítrofes" em algum sentido, e talvez nisto esteja a graça de sermos quem somos.
Talvez, o melhor seja eu não tentar explicar porque Forrest Gump é meu filme preferido. Se puderem, releiam este post ouvindo à musica que estou ouvindo agora, da trilha do filme: Forrest Gump Suite. Acho que só assim vocês vão entender!


sábado, 3 de julho de 2010

Triste, muito triste

Três de julho de 2010, uma e quatro da manhã. Por mais que eu esteja triste, revoltada, inconformada, acho que nada poderá se comparar ao que eu vou sentir amanhã (que já é hoje) quando eu acordar...
Será uma linda manhã de inverno, sábado, com céu azul, tempo seco e poucas ou nenhuma nuvem no céu. Como todos os sábados, não responderei à ditadura do despertador. E me permitirei dormir mais um pouquinho, displicente, inconsequente... como quem só desperta e espreguiça, bem devagar!
Inevitável, no entanto, será despertar do sonho. Não um sonho banal, com temperos egoístas, individuais... Mas um sonho acalentado há anos, coletivo, de todos nós brasileiros. Um sonho de, pelo menos por instantes, ser primeiro mundo, elite, primeiro lugar...
Certamente, me perguntarei de novo: de quem foi a culpa? Onde erramos? Como assim, de novo, nas quartas de final? De novo derrotados na condição de favoritos absolutos (embora intimamente inseguros, como sempre).
Qual é, afinal, a magia da Copa? Poucas vezes me deparei com meu coração aos solavancos, mesmo aos trinta e poucos anos de idade. Muitas delas, certamente, foi torcendo pela Seleção. Estranhamente sem fôlego, sem razões, e com lágrimas retidas por conta de muito pudor racional.
Pronto, cheguei onde eu queria! Amanhã (que na verdade é daqui a pouco) serei só mais uma brasileira que acordou de um sonho. Patriota incorrigível - confesso -, esperarei pacientemente por 2014, sonhando de vez em quando com um futebol que não existe mais. Aquele de antigamente que empolgava, enchia os olhos... daquele tempo que era difícil saber se era jogo ou dança, se era esporte ou arte. Daquele tempo em que o futebol éramos todos nós, sem exceção.
Contrariando a maioria, que agora certamente elege culpados, rendo minhas graças e elogios a alguns brasileiros de verdade, que honraram nossas cores. Mesmo não fazendo o tal e tão desejado "futebol arte" pintaram, como poucos, o "futebol raça". Acho que neste momento, cada um de nós tem um pouco de Lúcio. E graças a esportistas como ele permanecemos de cabeça erguida, apesar de tanta tristeza.
E é assim, do "jeitinho" brasileiro que esperaremos, resignados porém esperançosos, por 2014. E quem sabe lá, em 2014, sejamos, enfim, Primeiro Mundo (escrito assim, com letras maiúsculas).

Três de julho de 2010, duas e vinte e sete da manhã. Vou dormir agora. E só tenho certeza de uma coisa: vou acordar triste, muito triste!