Perfil do Orkut: “Quem sou eu”. Pergunta difícil... até hoje, com trinta e poucos. Dia desses, fuçando aquela minha pasta do computador que eu já citei antes, e que burramente (reafirmo) nomeei de “bobagens”, revi coisas que escrevi tempos atrás. Uma dessas coisas era o meu primeiro “quem sou eu” do Orkut, e lá pelo meio do texto eu escrevi que “não gosto quando grandes amores acabam”.
É triste mesmo. Principalmente quando acompanhamos uma grande história de amor desde o começo. Ela começa, cresce frondosa. Faz sombra, dá flores e frutos. Histórias, músicas,momentos e declarações. Um dia, meio que sem aviso formal, mas com alertas sutis cotidianos,ela amorna, desidrata, vislumbra o chão. E tão sorrateira quanto chegou, ela arrefece finalmente; depois de vários últimos suspiros, murcha e morre. Como uma flor, ceifada por falta de cor, de ritmo, de dança, de brilho, de palavras. Ou simplesmente por falta de ar.
Mas acho que não é sobre isso que eu quero falar hoje. Me permitam assumir meu (quase) constante otimismo e falar, ainda que brevemente, sobre amores que começam. Amores aurora, frescos, recém-chegados, inaugurados por acaso. Talvez sejam indescritíveis, esses “amores-bebês”, que surgem de um desdém aparente, um olhar desatento sobre os ombros. Já ouvi falar de amores que nasceram em filas de banco, em sobretudos e cabelos longos, em portões sob os olhares desconfiados da vizinhança. Amores à primeira vista. Amores que esperaram pacientemente as idas e vindas de corações indecisos. Amores que curaram sentimentos desfalecidos, desesperançosos. Ou que pegaram carona em uma felicidade muito muito grande que, definitiva e inadiavelmente, merecia um grande amor.
Acho que essa é a grande poesia do novo amor. Não há roteiro. Tampouco certos e errados, e muitos outros julgamentos de valor. Ele só existe, incólume a passados, histórias e dores. Parece até que só veio para acelerar o coração, adormecer as pernas e soltar o sorriso. E faz isso muito bem, não é? Os olhos brilham como nunca e, ainda que o mundo gire e as flores murchem como sempre, é tudo em “slow motion”. Mas com cores de Almodóvar, formas de Frida Kahlo e acordes de Tropicália.
Para onde caminham? Impossível dizer. São amores iminentes, com a prerrogativa inquestionável do novo, do desconhecido, e principalmente do “descobrir”. São cristais, é fato. E portanto carregam consigo brilho e ambigüidade; transparência e fragilidade. São frescos como banho de chuva no verão, gostosos como brigadeiro de colher. Mas também apavorantes como montanha russa, assustadores como filmes de terror tailandeses.
Então, não para definir (já que não é possível e nem é minha pretensão) mas para desenhar em linhas pontilhadas: Amor novo é encanto e mistério. Como tudo que é novo, é euforia. Como tudo que é desconhecido, é desafio!
quinta-feira, 11 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
Mulher
Tem uma música de que gosto muito que diz que “toda mulher gosta de rosas, rosas, de rosas”. Sempre achei perigosas as generalizações, ainda mais quando se aplicam a seres humanos, mais ainda sobre mulheres. Ainda assim, gosto muito da música.
Pensando na música, imaginei se seria possível dizer algumas coisas sobre as mulheres, ainda que não sejam definitivas, como de fato não poderiam ser. Pensei não só em coisas que parecem óbvias e que já foram exaustivamente expostas em ditos populares e crônicas que circulam na internet, mas principalmente em sutilezas, que permeiam estrofes de músicas e poemas. Me surpreendi ao perceber que, diante de uma vida inteira, às vezes é só um segundo que descreve uma mulher.
É aquele instante entre a aproximação dos rostos e o primeiro beijo. A cabeça se inclina levemente para o lado, os olhos se fecham, o vento bate nos cabelos, e surge a porção mais feminina. Que abraça, afaga, aparentemente calma. Mas por dentro, é só coração aos solavancos. Como explode por dentro a mulher!
Na manhã seguinte a um mar de lágrimas e despedidas, aquele pequeno instante entre o sono e a vigília em que tudo o que se passou parece tão irreal. E a mulher se lembra de tudo de novo e chora. Só que agora chora quietinha, sem caretas, apenas deixando aquela última lágrima lhe correr pelo rosto. É elegante a lágrima da mulher!
Vestido novo, noite de sábado, ocasião importante. Tudo tem que estar perfeito. O sapato da moda, acessórios discretos, e um sorriso reluzente nos lábios. No meio da noite, escondida no banheiro do restaurante, ela tira os sapatos, massageia os dedos dos pés, e suspira um “ai” profundo, de dor e arrependimento. E ressurge, mais mulher do que nunca, como se tivesse nascido a bordo de um salto quinze. Sempre quer ser mais mulher, como se fosse possível!
E o que dizer daquele segundinho de inveja por algo tão insignificante que não mereceria, normalmente, uma piscadela de atenção? O olhar lacerante, meio de canto de olho, o sorriso aguado, e o desdém que a denuncia em sua porção mais difícil de admitir em ser mulher. Ah, a boa e velha insegurança feminina... Ainda que passageira, como o suspiro da dor do salto quinze. Como é frágil o ego da mulher!
E por aí vai! Quer conhecer uma mulher? Procure nas entrelinhas das atitudes as contradições das palavras; o “sim” disfarçado de “tanto faz”, o “me abrace forte” travestido em cabeça baixa. Não a defina apenas por suas forças e fraquezas mais marcantes, mas pelos segundinhos de hesitação entre o sorriso e a lágrima, pelo olhar momentâneo de dúvida. Não se esqueça que sempre haverá mistérios indizíveis, e que às vezes, ela criará palavras para tentar, desesperadamente, se fazer entender.
Depois de tudo isso, não duvide, rosas serão bem vindas. Mas não se esqueça de ler, nas entrelinhas, orquídeas, gérberas, lírios, violetas...
Pensando na música, imaginei se seria possível dizer algumas coisas sobre as mulheres, ainda que não sejam definitivas, como de fato não poderiam ser. Pensei não só em coisas que parecem óbvias e que já foram exaustivamente expostas em ditos populares e crônicas que circulam na internet, mas principalmente em sutilezas, que permeiam estrofes de músicas e poemas. Me surpreendi ao perceber que, diante de uma vida inteira, às vezes é só um segundo que descreve uma mulher.
É aquele instante entre a aproximação dos rostos e o primeiro beijo. A cabeça se inclina levemente para o lado, os olhos se fecham, o vento bate nos cabelos, e surge a porção mais feminina. Que abraça, afaga, aparentemente calma. Mas por dentro, é só coração aos solavancos. Como explode por dentro a mulher!
Na manhã seguinte a um mar de lágrimas e despedidas, aquele pequeno instante entre o sono e a vigília em que tudo o que se passou parece tão irreal. E a mulher se lembra de tudo de novo e chora. Só que agora chora quietinha, sem caretas, apenas deixando aquela última lágrima lhe correr pelo rosto. É elegante a lágrima da mulher!
Vestido novo, noite de sábado, ocasião importante. Tudo tem que estar perfeito. O sapato da moda, acessórios discretos, e um sorriso reluzente nos lábios. No meio da noite, escondida no banheiro do restaurante, ela tira os sapatos, massageia os dedos dos pés, e suspira um “ai” profundo, de dor e arrependimento. E ressurge, mais mulher do que nunca, como se tivesse nascido a bordo de um salto quinze. Sempre quer ser mais mulher, como se fosse possível!
E o que dizer daquele segundinho de inveja por algo tão insignificante que não mereceria, normalmente, uma piscadela de atenção? O olhar lacerante, meio de canto de olho, o sorriso aguado, e o desdém que a denuncia em sua porção mais difícil de admitir em ser mulher. Ah, a boa e velha insegurança feminina... Ainda que passageira, como o suspiro da dor do salto quinze. Como é frágil o ego da mulher!
E por aí vai! Quer conhecer uma mulher? Procure nas entrelinhas das atitudes as contradições das palavras; o “sim” disfarçado de “tanto faz”, o “me abrace forte” travestido em cabeça baixa. Não a defina apenas por suas forças e fraquezas mais marcantes, mas pelos segundinhos de hesitação entre o sorriso e a lágrima, pelo olhar momentâneo de dúvida. Não se esqueça que sempre haverá mistérios indizíveis, e que às vezes, ela criará palavras para tentar, desesperadamente, se fazer entender.
Depois de tudo isso, não duvide, rosas serão bem vindas. Mas não se esqueça de ler, nas entrelinhas, orquídeas, gérberas, lírios, violetas...
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