quinta-feira, 11 de março de 2010

Amor Novo

Perfil do Orkut: “Quem sou eu”. Pergunta difícil... até hoje, com trinta e poucos. Dia desses, fuçando aquela minha pasta do computador que eu já citei antes, e que burramente (reafirmo) nomeei de “bobagens”, revi coisas que escrevi tempos atrás. Uma dessas coisas era o meu primeiro “quem sou eu” do Orkut, e lá pelo meio do texto eu escrevi que “não gosto quando grandes amores acabam”.
É triste mesmo. Principalmente quando acompanhamos uma grande história de amor desde o começo. Ela começa, cresce frondosa. Faz sombra, dá flores e frutos. Histórias, músicas,momentos e declarações. Um dia, meio que sem aviso formal, mas com alertas sutis cotidianos,ela amorna, desidrata, vislumbra o chão. E tão sorrateira quanto chegou, ela arrefece finalmente; depois de vários últimos suspiros, murcha e morre. Como uma flor, ceifada por falta de cor, de ritmo, de dança, de brilho, de palavras. Ou simplesmente por falta de ar.
Mas acho que não é sobre isso que eu quero falar hoje. Me permitam assumir meu (quase) constante otimismo e falar, ainda que brevemente, sobre amores que começam. Amores aurora, frescos, recém-chegados, inaugurados por acaso. Talvez sejam indescritíveis, esses “amores-bebês”, que surgem de um desdém aparente, um olhar desatento sobre os ombros. Já ouvi falar de amores que nasceram em filas de banco, em sobretudos e cabelos longos, em portões sob os olhares desconfiados da vizinhança. Amores à primeira vista. Amores que esperaram pacientemente as idas e vindas de corações indecisos. Amores que curaram sentimentos desfalecidos, desesperançosos. Ou que pegaram carona em uma felicidade muito muito grande que, definitiva e inadiavelmente, merecia um grande amor.
Acho que essa é a grande poesia do novo amor. Não há roteiro. Tampouco certos e errados, e muitos outros julgamentos de valor. Ele só existe, incólume a passados, histórias e dores. Parece até que só veio para acelerar o coração, adormecer as pernas e soltar o sorriso. E faz isso muito bem, não é? Os olhos brilham como nunca e, ainda que o mundo gire e as flores murchem como sempre, é tudo em “slow motion”. Mas com cores de Almodóvar, formas de Frida Kahlo e acordes de Tropicália.
Para onde caminham? Impossível dizer. São amores iminentes, com a prerrogativa inquestionável do novo, do desconhecido, e principalmente do “descobrir”. São cristais, é fato. E portanto carregam consigo brilho e ambigüidade; transparência e fragilidade. São frescos como banho de chuva no verão, gostosos como brigadeiro de colher. Mas também apavorantes como montanha russa, assustadores como filmes de terror tailandeses.
Então, não para definir (já que não é possível e nem é minha pretensão) mas para desenhar em linhas pontilhadas: Amor novo é encanto e mistério. Como tudo que é novo, é euforia. Como tudo que é desconhecido, é desafio!

4 comentários:

  1. Oi Zuuu,
    Claro que me identifiquei em muitos momentos, arrepiante, faz nós que temos amores que já não são mais cristais lembrarmos dos tempos de cristais, mas também faz-nos sentir felizes por termos vivido isso e solidificarmos em amores "sólidos" talvez... efim, novos ou velhos, sempre grandes amores. Vc sempre traz um bom sentimento com seus versos no meio de tanta objetividade da vida. Obrigada amiga por mais um presente.

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  2. Amor é amor!
    Intenso, forte, duradouro, inesquecível ou superficial, efêmero, fraco, covarde!
    E como distinguir um do outro?
    Atitudes. As atitudes comprovam e diferenciam os dois.
    Certo? Errado? Simplista? Quem sabe?
    Parabéns pelo texto!

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