Tem uma música de que gosto muito que diz que “toda mulher gosta de rosas, rosas, de rosas”. Sempre achei perigosas as generalizações, ainda mais quando se aplicam a seres humanos, mais ainda sobre mulheres. Ainda assim, gosto muito da música.
Pensando na música, imaginei se seria possível dizer algumas coisas sobre as mulheres, ainda que não sejam definitivas, como de fato não poderiam ser. Pensei não só em coisas que parecem óbvias e que já foram exaustivamente expostas em ditos populares e crônicas que circulam na internet, mas principalmente em sutilezas, que permeiam estrofes de músicas e poemas. Me surpreendi ao perceber que, diante de uma vida inteira, às vezes é só um segundo que descreve uma mulher.
É aquele instante entre a aproximação dos rostos e o primeiro beijo. A cabeça se inclina levemente para o lado, os olhos se fecham, o vento bate nos cabelos, e surge a porção mais feminina. Que abraça, afaga, aparentemente calma. Mas por dentro, é só coração aos solavancos. Como explode por dentro a mulher!
Na manhã seguinte a um mar de lágrimas e despedidas, aquele pequeno instante entre o sono e a vigília em que tudo o que se passou parece tão irreal. E a mulher se lembra de tudo de novo e chora. Só que agora chora quietinha, sem caretas, apenas deixando aquela última lágrima lhe correr pelo rosto. É elegante a lágrima da mulher!
Vestido novo, noite de sábado, ocasião importante. Tudo tem que estar perfeito. O sapato da moda, acessórios discretos, e um sorriso reluzente nos lábios. No meio da noite, escondida no banheiro do restaurante, ela tira os sapatos, massageia os dedos dos pés, e suspira um “ai” profundo, de dor e arrependimento. E ressurge, mais mulher do que nunca, como se tivesse nascido a bordo de um salto quinze. Sempre quer ser mais mulher, como se fosse possível!
E o que dizer daquele segundinho de inveja por algo tão insignificante que não mereceria, normalmente, uma piscadela de atenção? O olhar lacerante, meio de canto de olho, o sorriso aguado, e o desdém que a denuncia em sua porção mais difícil de admitir em ser mulher. Ah, a boa e velha insegurança feminina... Ainda que passageira, como o suspiro da dor do salto quinze. Como é frágil o ego da mulher!
E por aí vai! Quer conhecer uma mulher? Procure nas entrelinhas das atitudes as contradições das palavras; o “sim” disfarçado de “tanto faz”, o “me abrace forte” travestido em cabeça baixa. Não a defina apenas por suas forças e fraquezas mais marcantes, mas pelos segundinhos de hesitação entre o sorriso e a lágrima, pelo olhar momentâneo de dúvida. Não se esqueça que sempre haverá mistérios indizíveis, e que às vezes, ela criará palavras para tentar, desesperadamente, se fazer entender.
Depois de tudo isso, não duvide, rosas serão bem vindas. Mas não se esqueça de ler, nas entrelinhas, orquídeas, gérberas, lírios, violetas...
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Vc descreveu a alma, a essência da mulher como ninguém!
ResponderExcluirParabéns novamente!