O fim do ano se aproxima. Você já fez o “balanço” de 2009? E as promessas para 2010? Tanto quanto o bacalhau da sexta-feira santa, o peru de Natal e o espumante do revéillon, promessas de ano novo já são tradição. Enquanto cozinhamos as lentilhas e separamos a camisa branca, planejamos a dieta que começará, impreterivelmente, no dia primeiro de janeiro. Tá bom, dia primeiro ainda tem muita comida que sobrou da ceia... ficamos assim então: início da dieta – primeira segunda-feira depois do réveillon. Alguém ai se identificou com a cena?
Vamos combinar: muitas vezes usamos as tradições para dar aquela “escapadela” do lado moroso e burocrático de nossas vidas. Mesmo eu, uma entusiasta declarada das sutilezas e nuances do cotidiano, confesso: já deixei a dieta para a segunda-feira, a terapia para depois do carnaval, a caridade para o Natal. É que às vezes, o cotidiano pesa!
Imagino a grande maioria de vocês discordando: o que pesa não é o cotidiano, mas a rotina! Concordo. A rotina engessa, massifica, é unidirecional, arrastada. Sabem a imagem que me vem à cabeça? O 307 lotado, no inverno paranaense, com os vidros fechados embaçados e as dezenas de pessoas em pé, segurando-se como podiam, e, em movimento pendular acompanhando o balé acelera-freia-para. Sem dúvidas, isso é rotina.
Mas, pensem bem, rotina é fácil de mudar. Principalmente quando operacionalizamos nossas promessas, geralmente grandiosas, em ações simples e passíveis de se encaixar no dia-a-dia. Esqueçam a palavra dieta (assustadora, por sinal). Substituam por mais “verdes” no prato, caminhadas ao ar livre, observando a natureza e a arquitetura da cidade; sucos de todas as cores; muita água geladinha; frutas de todos os cheiros e tamanhos! Fila de banco? Barrinhas de cereais. Ônibus lotado? Água, para refrescar o aperto. Faxina? Música e dança para dar colorido às vassouras e rodos. Elevador demorando? Três andares de escadas não matam ninguém. E fazendo tudo isso o pettit-gateau não vai mais parecer uma “bomba” calórica ameaçadora de nome francês. É só um bolinho com sorvete que se encaixará perfeitamente em um momento de celebração.
Acho então que o cotidiano pesa à medida que fazemos da rotina a nossa inimiga número um. É por isso que fazemos promessas de fim de ano. No dia 31 de dezembro, não pensamos que o dia primeiro e janeiro é só o dia de amanhã. É outro ano, outro ciclo, o início de uma era onde a rotina e o cotidiano se transformarão em algo totalmente diferente do que foram até agora. Como se a rotina explodisse, junto com os fogos de Copacabana.
Afinal, que planos farei no dia 31? Sinceramente, ainda não sei. Talvez não faça nenhuma promessa, e mantenha as outras tradições: lentilhas, vestido branco, espumante à meia noite, sete ondinhas. Mas para mim, a tradição mais importante do réveillon é, sem dúvida, começar o ano com o pé direito. E pra isso, já decidi: vou fazer as pazes com a minha rotina!
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
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Estou ansiosa, esperando as nossas tradições de fim de ano. Baile de Natal, caminhadas, cervejinhas, nossos papos. Uma pena o "bat local" não existir mais, não é?
ResponderExcluirInspirador amiga, acho que vou deixar as promessas de lado e comer muito verdinho... srrs. Beijos mil pra vc
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